O caminha para casa é longa : gosto muito dessa vida de bar sem compromisso. Fácil é falar e tentar enxergar adiante sem estar num bar, e entre bilhar e copo na mesa as horas vão passando, uma, duas...Um dia terão passado anos. Fato que amizade e companheirismo tem lá seus níveis : Amigos de trabalho, futebol, escola, etc. E o tempo passa - sempre - e tudo vai indo embora. E o que ficou? Uma dívida para acerto, o famoso vender 'fiado'. Nessa vida o tempo não se recupera... Às vezes dá vontade de acreditar em outra realidade/vida onde isso seja possível. Só pra justificar os tropeços e alimentar aquelas falsas esperanças que todo mundo que tem um pouquinho de sonho têm. Mas o fato é que minutos, dias e anos são medidas muito relativas! E ficar se queixando e acreditando que eles um dia voltarão é um passo certo para a tristeza.Mas eu também não tenho mais idade, paciência e estou um pouco bêbado para tirar reflexões sobre escolhas e tempo...Perdi mulher, perdi filhos, perdi a vida e minha conexão com as coisas abstratas - é meio foda às vezes não estar perdido em sonhos irreais. De real temos todas as ruas que pisamos e não preciso de cinema, teatro ou livros pra me mostrarem coisas que meus olhos podem ver...
Estranho mesmo é a dicotomia entre arrependimento e diversão que todo bêbado com história trágica pode ter : Não abrem mão do seu bar, mas lamentam que este tenha acabado com o resto. E esse resto? Seria melhor que o bar? Mais vale o que : Uma vida saudável em família ou uma roda de sueca com amigos e cerveja? Ou uma mulher reclamando duma privada entupida ou a falta de dinheiro pra pagar o encanador por ter gasto tudo em farra?
Copo após copo o tempo passou...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
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